Forças militares de São Tomé e Príncipe 🇸🇹

Panorama da força militar

Estatísticas de defesa e indicadores-chave

População 226305 (2022)
PIB $540,8 milhões (2022)
PIB per capita $2390 (2022)
Taxa de inflação 18,01% (2022)

Panorama estratégico em 2026

Posição estratégica

Situado no Golfo da Guiné, São Tomé e Príncipe mantém uma postura de defesa centrada na soberania marítima e na segurança da sua Zona Económica Exclusiva (ZEE). As principais preocupações de segurança do Estado envolvem ameaças marítimas não tradicionais, incluindo a pirataria, a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INN) e o tráfico transnacional. Estas ameaças são intensificadas pela localização do país ao longo de importantes rotas de navegação utilizadas para o transporte de hidrocarbonetos e bens comerciais.

O Estado depende de uma rede de alianças regionais e internacionais para compensar a sua limitada capacidade militar interna. É membro fundador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC). As prioridades estratégicas são geridas através da Arquitetura de Yaoundé, um quadro regional de segurança marítima que facilita a partilha de informações e patrulhas conjuntas entre os Estados do Golfo da Guiné.

As relações bilaterais constituem o pilar da estratégia de defesa nacional. Portugal continua a ser o principal parceiro de segurança através de acordos de cooperação técnico-militar de longa data. Esta parceria inclui a presença permanente de um navio-patrulha da Marinha Portuguesa para apoiar missões de vigilância e instrução. Os Estados Unidos, através do Comando para a África (AFRICOM), prestam assistência por meio dos exercícios anuais Obangame Express e da doação de equipamento de vigilância costeira. Mudanças recentes no panorama estratégico envolvem a diversificação de parceiros de defesa, incluindo um acordo formal de cooperação militar com a Rússia, destinado a reforçar a formação de pessoal e a assistência técnica.

Forças militares

As Forças Armadas de São Tomé e Príncipe (FASTP) estão organizadas numa estrutura reduzida e integrada, focada na segurança interna e no conhecimento do domínio marítimo. Estima-se que o total de efetivos no ativo situe-se entre 600 e 1.000 elementos. O Presidente exerce as funções de Comandante-em-Chefe, sendo a tutela administrativa assegurada pelo Ministério da Defesa e Ordem Interna.

Exército

O Exército é o maior ramo em termos de efetivos, mas funciona essencialmente como uma força de infantaria ligeira. A sua estrutura operacional é composta por companhias de infantaria e unidades de apoio. A força tem como missão a defesa territorial, o apoio em catástrofes e a estabilidade interna. O equipamento limita-se a armas ligeiras, veículos ligeiros e um pequeno número de veículos blindados de transporte de pessoal obsoletos, como o BTR-60, muitos dos quais se encontram em estados de manutenção variáveis.

Guarda Costeira

A Guarda Costeira é o ramo operacionalmente mais ativo devido à geografia marítima da nação. A sua missão principal é o policiamento da ZEE e a proteção dos recursos offshore. A frota é composta por lanchas de patrulha e intercetores costeiros, incluindo embarcações doadas por Portugal e pelos Estados Unidos. Entre os meios de relevo encontram-se navios da Marinha Portuguesa operados sob comando conjunto e pequenas embarcações de patrulha da classe Archangel ou Boston Whaler. O ramo trabalha em estreita colaboração com os centros regionais de coordenação marítima para monitorizar o tráfego de navios.

Unidades especializadas

A Guarda Presidencial e a Guarda Nacional asseguram a proteção especializada de altos dignitários do Estado e de infraestruturas críticas. Estas unidades apresentam, frequentemente, melhor equipamento e treino do que as companhias de infantaria convencionais. O Estado não possui uma força aérea, embora utilize algumas aeronaves de transporte ligeiro e dependa de parceiros estrangeiros para vigilância aérea e patrulhamento marítimo.

Tendências estratégicas

A atual trajetória de defesa é definida pela modernização das capacidades de vigilância marítima e pela profissionalização do corpo de oficiais. Os esforços de modernização focam-se na integração de radares de Sistema de Identificação Automática (AIS) e redes de sensores costeiros para melhorar o sistema de "Janela Única Marítima". Isto permite que as FASTP monitorizem atividades ilegais de forma mais eficaz ao longo dos seus 160.000 quilómetros quadrados de zona marítima.

As despesas de defesa permanecem, tipicamente, abaixo de 1% do PIB nacional, o que exige um elevado grau de dependência de financiamento militar estrangeiro e doações de equipamento. Uma tendência significativa para 2025 e 2026 é a expansão das áreas marinhas protegidas, o que aumentou os requisitos operacionais da Guarda Costeira para fazer cumprir os regulamentos ambientais e de pesca.

As forças militares enfrentam limitações persistentes, incluindo uma sustentabilidade logística reduzida e a falta de capacidade de manutenção interna para plataformas complexas. Para colmatar estas lacunas, as prioridades de defesa para 2025–2026 enfatizam a formação profissional e o estabelecimento de uma Célula de Cooperação Civil-Militar (CIMIC) no âmbito da CPLP. Esta iniciativa visa preparar o pessoal para a participação em operações internacionais de manutenção de paz, aumentando assim o profissionalismo e o prestígio regional das forças armadas.

Geografia

Mapa de São Tomé e Príncipe
Capital São Tomé
Área terrestre 964 km²
Extensão do litoral 209 km

Tendências de população e efetivo militar

Tendências de PIB e taxa de inflação

População, PIB, inflação e efetivo: Banco Mundial.
Gastos militares: SIPRI Milex.